Artistas que inspiram

Tipo uma fada madrinha que me ensinou a fazer um jardim!

Flores me inspiram liberdade, perfume de coisa boa, cultivar, colher, encantar, presentear.

A estação do ano que eu mais gosto é a primavera! Motivos óbvios pois não gosto muito de calor e adoro cores.

Foi com toda essa paixão que eu recebi um convite de aprender a fazer uma bolsa com várias aplicações de Flores.

A princípio achei que deveria ser muito difícil (o que eu não estava toda enganada), e afinal eu nunca havia bordado, e sabia que tinha várias limitações em Appliqué. Mas ao final, o máximo o que poderia acontecer era ter tentado e sair errado (maior engano ainda).

Fomos lá nessa grande jornada, eu e as minhas fieis escudeiras Mila Frias e Nath Carneiro, e sabíamos que iríamos pelo menos sair maravilhadas com muitos projetos em nossas cabeças.

Ao chegamos na Kikikits nos deparamos com uma coleção enorme de modelos. Aplicações maravilhosas, cheias de vida. Parecia que estávamos naquelas plantações de flores holandesas.

E justamente nesse cenário, me aparece uma mulher delicada, de olhos claros, cabelos brancos e fala hiper suave. Tinha um sotaque daqueles deliciosos que só os gaúchos têm. Uma delicadeza em apresentar o que iríamos fazer, por onde iríamos andar, e qual o objetivo que iríamos alcançar. Ela realmente foi o adubo que precisávamos para começarmos o nosso jardim.

E foi essa fada, tirada desse jardim que nos ensinou primeiro a planejar como seria o nosso paisagismo. Cuidados pequenos com a escolha do nosso gramado (ou do fundo da bolsa), os tons de cada pétalas (ou as cores dos tecidos aplicados), que tipo de caule iríamos querer…. e que tipo de flores poderíamos plantar (ou desenhar nos moldes). 

Foram tantas informações que eu simplesmente não fiz nada em minha primeira aula… exceto praticar a “dobra da agulha” nos tecidos que ela gentilmente havia trazido para nos presentear e nos ensinar a praticar.

Quando eu comecei a aplicar, eu que não tinha habilidade alguma com a agulha e a dobra, e os pontos. Comecei a achar tudo torto, tudo errado. Então ressurgi a fada, e me diz “que mesmo em um jardim de verdade nada é idêntico. Que no Patch assim como no Appliqué não há certo ou errado“. Reforçou que assim como na vida, temos que fazer o nosso melhor, e só de tentarmos já estamos acertando.

Quanto ao meu paisagismo, ele estava confuso, cheios de querer. Eu tinha levado tantos tecidos importados, mas quando cheguei me deparei com a coleção enorme de batiks que ela havia usado e levado, que simplesmente desisti de tudo.

O curso era de 5 dias para aprender a fazer o preparo da bolsa (sim o nosso jardim foi chamado de bolsa) e depois iríamos voltar para mais 5 dias de montagens. Tínhamos que escolher se teria armação ou não, e como seria o tamanho da plantação. Tínhamos que escolher se iriamos ou não fazer o quilt nas peças, ou se iríamos mandar para alguém quiltar. Eram muitas perguntas… e até me angustiou um pouco. Será que conseguiria finalizar?

Cheguei em casa e simplesmente desfiz tudo o que havia feito.Quatro horas de aula para saber apenas que era mais do que eu havia me planejado o que iria me completar. Sai buscando meus batiks guardados em outro projeto, e sem pensar sai pegando pedaços e mais pedaços desse outro projeto.

Segundo dia, já havia mudado tudo… deixado apenas o fundo da bolsa. O fundo não tinha como dar errado, pois havia comprado tecidos maravilhosos na Kikikits, e o toque do importado infelizmente para a nossa indústria nacional, não há igual. Fiz em tons de preto… para realmente contrastar com minhas pétalas. Gastei boas horas da minha noite “adubando” meu novo jardim. E na manhã seguinte, saí toda faceira para recomeçar o meu projeto.

Ah e a Fada… essa estava feito uma madrinha mesmo em torno de suas afilhadas. Docemente ia mostrando que poderíamos sim mudar algo e deixar o jardim com mais cores. Que o contraste é lindo, e que tínhamos que fazer aquilo que fosse de encontro ao nosso coração, olhos e alma. Nos apresentou os produtos da Karen Kay Buckley, que eu logo já sai a caça de compra-los. Depois dessa aula, os moldes circulares e essas tesouras fizeram parte das minhas ferramentas inseparáveis.

Adriana, sim a Fada também é conhecida como  Adriana Sleutjes,  saiu distribuindo informações de todo tipo, e se colocando o tempo todo a nossa disposição. Quando precisávamos de determinada cor para contrastar ou harmonizar, lá vinha ela com uma maletinha pessoal, e disponibilizava para suas pupilas pedaços de batiks para nos presentear. Não tinha horário de almoço e se dependesse dela ficava a noite toda nos passando conhecimentos. Nos explicou que iríamos ficar sem digitais, e que dedais seriam nossos melhores amigos para os próximos meses. Uniu o grupo. Nos fez dividir materiais, cores, tecidos, linhas entre outros. Fez o que as grandes mestres sabem fazer… nos fez pessoas melhores!

Já sei… esse post esta muito longo, mas não há como resumir tanta generosidade… tanta bondade, tantos conhecimentos. Uma mulher culta, com muitas histórias, ativa, cheia de energia, que inclusive será a nossa próxima convidada das Artistas Brasileiras do Patch, ela mesma, colocou o seu pó mágico em torno de nossos trabalhos.

Saímos faceiras e felizes, com nossos cortes com diversos pedaços de tecidos a serem costurados. Tínhamos uma missão de nos encontramos depois de alguns meses e fazermos a montagem da bolsa.

Algumas resolveram enviar as bolsas para serem quiltadas por uma profissional do RS. Eu, bastante pretensiosa, sai quiltando 3 bolsas ao mesmo tempo. Foi uma experiência enriquecedora. 

Poderia ainda digitar páginas e páginas desse encontro. Mais do que bolsas lindas, essa aula uniu um grupo que mantemos até hoje no whatsapp. Viramos cúmplices do nosso jardim. Nos ajudamos, dividimos informações. Sete mulheres de diversas cidades, idades variadas, que dividem suas experiências, suas famílias, seus sonhos…. Ingrid Alonso, Mila Frias, Nathalia Carneiro, Monica Vallilo, Raquel Martinez, Vera Bertozzi e Estela Mota! Isso é o Patchwork! União de pessoas em torno do pretexto simples de achar atalhos para unir retalhos! Temos muito a agradecer a Kiki Bocage, por ter unido esse grupo tão fascinante.

E saímos ainda mais faceiras com as nossas bolsas nada discretas. E imediatamente eu tive uma sensação de abstinência enorme… e agora? o que iria bordar? como viver sem isso? E sai fazendo novos projetos e louca para reencontrar com a minha Fada Madrinha.

Mais do que aprendizado do patchwork, a Adriana Sletujes me ensinou como eu posso ser sempre uma pessoa melhor, mais generosa e mais solicita as demais pessoas. Se Deus me ajudar, “Eu vou ser ela quando crescer!”.

 

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