Dicas e reflexões

Quiltar ou como Quiltar, eis a questão!

Com o momento delicado em que vivemos, surgiu a necessidade de finalizar os trabalhos que estavam adormecidos nos armários. Vários saquinhos, com aulas presenciais, que um dia prometemos concluir. Eu só ouvi isso nas redes sociais nessa quarentena!

Trabalho realizado em Houston em Workshop com Melinda Bula

Eu mesma fui a primeira a dar um jeito no meu canto do “I have to” como eu chamo. Não que eu tenha terminado todos, mas dá um alívio retomar um trabalho e concluir…. parece que a maturidade nos faz ainda mais capazes de enxergarmos soluções para otimizarmos as finalizações das peças. São os cursos de Houston, da Marina, de Floripa, que vão criando formas e sendo finalizados.

Então nos deparamos a algo que nos parece assombrar: Como quiltar essa peça?

Hoje temos tantas opções online de cursos para nos tornarmos grandes Quilters. Aulas de artistas premiadas que nos ensinam qual a linha que devemos escolher, qual a melhor manta para determinado trabalho, quais os principais movimentos.

Régua ou não régua? Reto ou cheio de curvas? Terá eco? Preenchimento baixo? Como é mesmo aquele… ah microquilting? Que pé eu uso? Livre? Walking foot? E aí vamos….

Vem a culpa… usar ou não usar Stencil? Tenho que ser boa em tudo? Mas tenho dificuldade de desenhar, conseguirei costurar desenhando?

O trabalho corre o risco de ir para a pilha do “Quiltar” (eu também tenho a segunda pilha no ateliê).

Todos os trabalhos grandes, aquele que fizemos imaginando que iríamos ter uma Longarm, e como não temos, fica muito cansativo o quiltar (lógico que há grandes artistas que fazem em uma estacionária, mas eu estou aqui me colocando nas Quilters Normais e não as que têm super poderes). Sim, quem faz uma peça de 2 m em uma máquina doméstica merece todos os nossos aplausos.

Eu resolvi isso facilmente. Atualmente tenho enviando os meus trabalhos para Nana by Nana. Lá elas têm dois tipos de trabalhos que me encantam; Um bloco a bloco, feito individualmente e, o meu preferido, Edge to Edge. Sim, eu amo o simples. Gosto mais do que o todo trabalhado.

“Céu de Santo Amaro” pronto para quiltar.

Há uma dualidade grande entre quem faz o topo do quilting e quem quilta a peça. Quando a pessoa cria um trabalho, ela já fica imaginando como se faz. Quando envia para outra pessoa quiltar, estamos dando a essa pessoa o livre arbítrio de parafrasear a sua peça. Fazer um novo momento.

É um choque as vezes abrir a peça e ver que ela foi devolvida totalmente diferente do que se imaginava. Em muitos casos ficamos surpreendidos e em outros ficamos anestesiados. Então aí vai a melhor dica do blog… “conversar”. Sempre há um resultado surpreendente quando se conversa.

E não podemos nos esquecer que há as peças dos concursos… essas, então, são maravilhosamente angustiantes. No meu caso, a única peça que mandei para uma exposição eu mesma fiz o quilting e foi para o Clube Brasileiro de Patchwork e Quilting de São Paulo. Que loucura! Eu ficava o tempo todo me espelhando nos meus outros trabalhos feitos pela Veronica Abad e pela Yaskaha Saito Vallini. Ambas dominam as técnicas e tem uma qualidade impecável de trabalho.

“Sol do Sertão”, trabalho feito para o Festival do Gramado, CBPQSP.

Eu, simples mortal, indo sentar para quiltar…. mas fiz… e é disso que quero dizer aqui.

Não podemos nos comparar com Melinda Bula, Fabia Diniz, as meninas talentosas do Órbita, Claudia Pfeil, Julia Quiltoff, Angela Walters, Pam Holland, Silvana Vituriano, Marcia Baraldi entre tantas, mas podemos nos inspirar nelas.

Temos que criar o nosso momento de quiltar. Temos que descobrir que tipo de quilting nos dá mais prazer. Não gosta de plumas, ótimo faz reto. Tudo é permitido no Patchwork. Mas tudo que nos faz bem e nos deixa feliz.

Como disse o meu marido a algum tempo… “nunca se desfaça de um trabalho seu, justamente para ver o quanto evolui”. Quilting é prática, um pouco por dia, com boa música e paz interior.

E como eu sempre digo: “enquanto não tem domínio da coisa, MENOS sempre será MAIS!”.

Não deixe de terminar o seu trabalho porque não sabe quiltar. Sabiamente uma amiga e aluna querida me disse: “São só tecidos!”.

Patchwork é terapia de unir retalhos. Como me presenteou o Airton Spengler com a frase “Atalhos e Retalhos”, é isso! Com prazer, sem dor e sem culpa… apenas fluindo o nosso melhor através dos nossos trabalhos.

 

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