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Nem sempre festivo

Nosso meio é muito complexo…. somos muitas e tão diferentes! Temos uma geração toda composta de profissionais que se aposentaram e resolveram continuar se ocupando com uma atividade bonita e sofisticada. Também há uma geração de artistas, que resolveram se dedicar a criar com tecidos e vivem buscando associar suas técnicas com novos materiais. Criam obras maravilhosas!

Há também várias pessoas, que acabaram por se tornarem comerciantes por osmose e que resolveram se dedicar ao Patchwork como um rentável negócio. Começaram seus ateliês em “garagens” de suas residências e dão show de profissionalismo. Não podemos também esquecer que há uma nova geração, que já desde cedo fez do Patchwork sua primeira opção de vida e profissional. E elas realmente estão mais do que certas. Os números falam por si só…

Mas olhando bem de perto, mais do que arte eu consigo ver um comércio maravilhoso! Precisamos evoluir e muito, mas estamos indo bem… mas há tanto para melhorar!

Há vários festivais no mundo todo, mas alguns são bem famosos para nós latinas. Para muitos o sonho de consumo é poder visitar o Quilt Festival Houston.

Esse sonho de consumo de muitas quilteiras em 2017 contou com a visita de 60 mil pessoas, vindas de 35 países! Milhares de dólares foram investidos e muito bem recuperados nas vendas de projetos, máquinas, tecidos e todo tipo de apetrecho para confecção do Patchwork.

Para nós nos inspirarmos havia mais de 1.600 quilts e peças de arte, mais de 1.000 expositores e foram ministradas mais 500 classes/aulas.

Nesse tipo de evento conseguimos até “tietar”! Eu mesmo no último festival quando vi estava pedindo autografo para várias pessoas, levando os livros para ter uma dedicatória só minha, me sentindo como se tivesse encontrado minha velha amiga das mídias sociais.

Tirando esse lado poético, podemos entender o que faz desse tipo de evento um rentável negócio. Sim, podemos viver de Patch, e muito bem. Mas depois de visitar um evento internacional como esse, só posso dizer que precisamos e muito evoluir no quesito organizar os eventos no Brasil.

Os festivais brasileiros ocorrem em várias cidades charmosas, e se tornam ponto de encontro para os artistas e suas alunas! Grandes fornecedores e consumidores! Mas estamos longe de respeitarmos o visitante como ele merece. Não vou citar nomes ou lugares para não ser deselegante, mas tenho visto coisas que me deixam muito triste.

Como sou uma pessoa extrovertida aparentemente, várias pessoas acabam vindo confidencializar algumas experiências nem tão poucas agradáveis. Alguns pontos precisam ser revistos pelos organizadores.

Hospedagem: Sim… quem decide ir a um festival tem que ter pelo menos duas opções com descontos para se hospedar, dando alternativas aos visitantes. Já estive em um festival, que quando cheguei o quarto cheirava a Mofo, e não havia elevadores. Pensem nas nossas amigas balzaquianas, com as mãos cheias de compras, subindo vários tipos de escadas. E ainda, sem opções de alimentação. Sim somos loucas e ficamos no evento até tarde e ao voltar precisamos “engolir” alguma coisa.

Translado: Sim… ele tem que ser conforme as aulas. Não adianta colocar uma aula as 8 e o translado as 8. Precisamos fazer com que o evento “acolha” a todas, inclusive as que só dependem do transporte do evento.

Alimentação: As pessoas “comprarão melhor” se não estiverem com fome ou sede. Opção deve ser dada para quem estiver disposta a ficar mais de 6 horas nesse tipo de evento. Isso deve ser levado em conta. Em um desses festivais por exemplo, se eu fosse intolerante a lactose teria passado fome no almoço.

Pontualidade e organização: Não há nada mais terrível do que chegar em um festival, pagar por uma aula, e puff…. descobrir que a foto que estava no site não era a foto do trabalho que seria dado.  Isso será uma postagem a parte, pois a aula então há tanto a se melhorar.  Não se pode mudar o horário da aula sem combinar antes com todos os envolvidos.  As salas devem estar relacionadas no mínimo em um painel na recepção do evento!

Enfim… como eu disse estamos indo muito bem, mas precisamos aprimorar muitas coisas. A principal dela por incrível que pareça é o modo que acolhemos nossos visitantes nesses eventos.

E você? Deixe aqui o seu depoimento de como foi a sua experiência em seu último festival!

*Imagem destaque: Madonna by Brittany Bowen Burton, quiltado por Natalia Bonner. Foto de Estela Mota no International Quilt Festival 2017

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