Artistas que inspiram

Eternizando momentos e unindo paixões

Sou uma grande admiradora da fotografia. Acho maravilhoso eternizar momentos, registrar emoções e poder guardar um pedacinho daquela experiência ou lugar incrível. Não quero parecer muito crítica, mas as redes sociais banalizaram a fotografia. As pessoas registram absolutamente tudo, sem critério e acabam deixando de viver e aproveitar o instante para simplesmente fazer um clique e publicá-lo.  Por isso fico incrivelmente inspirada quando conheço alguém que consegue pegar a fotografia e transformar em algo ainda mais admirável. A Monika Wultz é assim, ela eterniza momentos em seus painéis de patchwork. Eleva a fotografia para outro patamar, misturando cores e texturas, transformando em algo único.

Tudo aconteceu muito rápido na carreira de patchworkeira (ou quilteira) de Monika. Ela comprou a primeira máquina de costura em 2007, quando seu filho nasceu. “Eu via as revistas de patchwork nas bancas, resolvi tentar e fiz uma mantinha para o bebê de uma amiga”, conta. Logo depois resolveu fazer uma aula, para aprender um pouco mais a técnica. Como muitas de nós, começou com o patchwork de utilitários, mas logo perdeu o medo do quilt e se aventurou em outras técnicas.

Peixe

Foi quando Monika visitou o Festival de Gramado que ela se encontrou. “Vi o trabalho da Adriana Sleutjes e me encantei, comecei a pesquisar na internet e descobri várias pessoas fazendo figurativo lá fora”, explica Monika. Ela começou a testar algumas técnicas para conseguir o efeito mais realista possível. Seu primeiro trabalho enviado para um festival foi o painel com um peixe, que ganhou uma menção honrosa. Ela já havia feito um curso de fotografia no passado, gostava de capturar momentos, eternizar lembranças. Com o patchwork figurativa ela encontrou a técnica perfeita. “Uni duas paixões, o patchwork e a fotografia”, conta.

Max

Depois do painel do peixe, Monika fez o Max, seu cachorro. Ela correu para conseguir terminar a tempo de enviar para o Festival de Gramado, mas valeu a pena, pois o trabalho ganhou segundo lugar em sua categoria. “Adaptei uma técnica para conseguir fazer à máquina as aplicações, pois não sou muito boa com costura a mão”, explica a artista. Após essa segunda participação no festival começaram a surgir os pedidos de aulas, mas ela ainda não se sentia confiante o suficiente para ensinar. “Queria aprimorar e dominar melhor a técnica antes de dar aulas disso”, conta.

Bebê Azul

Ela criou novos painéis, refinou sua técnica, começou a ensinar e seus trabalhos começaram a se destacar no universo do patchwork. Um deles é um Bebê Azul, feito a partir de uma foto de seu filho. Esse trabalho fez parte de uma exposição em São Paulo e foi selecionado pela curadora da exibição para ser exposto na Inglaterra, junto com outros artistas. “Foram quatro exposições lá. Nos juntamos e conseguimos ir ao país acompanhar a exibição, aproveitei e levei dois outros painéis para participar de um concurso: O Max e a Tessa”, conta Monika. Seus painéis foram premiados e o Bebê Azul publicado em uma revista inglesa.

Tudo isso aconteceu em menos de 10 anos. Hoje a artista tem trabalhos que já participaram de exposições em Portugal e na Espanha, além de diversos prêmios. Ela encontrou o que a inspirava, o que a motivava a criar e transformou em arte. Juntou a fotografia e conseguiu eternizar momentos de forma mais única ainda, com tecidos e muita criatividade. E é exatamente isso que ela espera de suas alunas, que elas encontrem seus caminhos. “Se você já sabe a técnica, você pode criar algo seu, original. Não quero ensinar só a técnica, quero que as alunas possam traduzir isso num trabalho próprio”, explica Monika.

Para mim, foi muito inspirador conhecer e conversar com essa artista. Além de trabalhos únicos e maravilhosos, sua trajetória faz com que eu acredite que o patchwork realmente é o meu caminho. Podemos nos expressar e transformar em arte pequenos pedaços de tecidos. No final teremos algo único, só nosso e totalmente inovador. Um dia chego lá!

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