Artistas que inspiram

Encontrando o nosso espaço no meio da arte

Conhecer o universo do patchwork tem sido uma jornada incrível. São muitas possibilidades e intérpretes nessa história repleta de criatividade, talento e muita dedicação. Aos poucos fui descobrindo que o patchwork vai muito além do artesão e da professora. E essas pessoas maravilhosas, que vivem nos bastidores de grandes eventos merecem um pouco de nossa atenção.

Entrada da exposição: Na lateral trabalhos brasileiros. Ao fundo a direita, arte têxtil da brasileira Ava Soban. Ao fundo Arte da americana Sidnee Snell.

Uma delas é o Zeca Medeiros. Ele dedica sua vida em divulgar e organizar exposições de arte têxtil. Esta é uma vertente cultural pouco conhecida e valorizada no Brasil e que ainda está conquistando o seu espaço. “Eu conheci através da minha mãe que fazia os trabalhos e me interessei pela história do patchwork, como ela é grande, vasta”, conta Zeca. Suas primeiras exposições focavam no tradicional, mas logo ele descobriu outras possibilidades que o tecido oferece. “Comecei a buscar os contemporâneos e encontrei um mundo novo, da arte têxtil contemporânea, que utiliza a técnica do tradicional, mas apresenta trabalhos diferentes”, explica o curador.

Nome da obra americana: 3Ways 14Marks – Tecido e pintura. A obra dependendo do ângulo exibe uma nova imagem

Fora do Brasil já existem diversos museus e galerias que veem a arte têxtil no mesmo patamar de outras artes, como a pintura, escultura etc. Porém aqui, ainda temos um grande caminho pela frente. Zeca resolveu oferecer oportunidades para artistas brasileiros mostrarem seus trabalhos, assim como mostrar o que estava sendo feito no exterior. Assim surgiu a “Exposição Contemporâneo”. “A partir daí comecei a trazer trabalhos de fora para o Brasil e convidei alguns brasileiros para começar a trabalhar com o contemporâneo”, conta Zeca. Tudo isso teve início há dez anos e muitos desses artistas continuam com grande participação na mostra.

Conforme os anos foram passando a “Contemporâneo” foi crescendo e criando seu nome no mercado de artes. A participação de artistas não se limita apenas aos que fazem patchwork. Grandes nomes da arte têxtil brasileira já tiveram trabalhos expostos e Zeca se dedica diariamente para crescer ainda mais com esse mercado. “Apresentamos junto com o patchwork outros tipos de arte têxtil e com isso a gente quer englobar artistas conceituados a arte têxtil e transpor essa barreira que existe em relação ao patchwork contemporâneo”, explica. Essa nova visão do patchwork oferece infinitas possibilidades para grandes artistas. Estamos criando uma nova cultura e mostrando que o trabalho feito por nós está sim a altura de uma galeria ou um museu.

Artes da frente – Autor: Sidnee Snell – USA. Centenas de pedaços de tecidos formam imagens tri-dimensionais.

Porém ainda tem um grande caminho para percorrer. Temos que transpor diversas barreiras para conquistar um espaço no mundo da arte. “Existe somente uma galeria em São Paulo que trabalha com arte têxtil brasileira, que é dos anos 70, não patchwork”, conta Zeca. Além disso existe o preconceito da comunidade artística brasileira. Mas ao longe desses dez anos muito foi alcançado. “Já percebo uma mudança, todo os anos temos uma mídia espontânea fabulosa. Todos anos alcançamos matérias da TV globo por exemplo” explica. Esse tipo de divulgação é fundamental para conquistar um público maior. Temos que crescer além das pessoas que veem o patchwork como Hobby e encontrar os admiradores dessa arte. Aos poucos esse caminho está ganhando forma e estamos conquistando o nosso espaço.

A próxima Exposição Contemporâneo será de 13 a 16 de fevereiro de 2019, no Centro de Convenções Frei Caneca, em SP.

(*)Imagem de destaque: Foto de Sandra Pagano, arte têxtil de Fernando Luis. Impressão digital e bordado.

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