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As mudanças das Cores

Cecília Koppmann é daquelas pessoas que nasceram para mostrar ao mundo quão suave suas falas podem ser.
No Floripaquilt  tivemos o nosso primeiro contato. Para mim foi meio que um momento de “Tietagem” pois já acompanhava o trabalho dela pelo Pinterest e pelo Instagram. Foi um workshop enriquecedor, daqueles que a pessoa se doa para que você consiga extrair de si próprio o que se tem de melhor para aplicar no tecido.
Sai em total êxtase! Tanto foi que terminei o trabalho no mesmo mês (nós quilteiras sabemos que há um tempo para que isso possa ocorrer).
Dois dias após o curso, tivemos um novo encontro. Lá estava ela toda dedicada a unir pedaços de tecidos, e de uma forma toda lúdica, me explicou que estava correndo para terminar uma bandeira do Orgulho Gay, que iria entregar a uma amiga em Buenos Aires assim que chegar. Sem perguntar se podia, já comecei a tentar ajuda-la, para que de alguma forma a minha solidariedade pudesse estar inserida nesse movimento que tanto me agrada. Mais um ponto de conquista!
E não tivemos mais contato, a não ser em minhas buscas incessantes de inspirações, onde sempre colocava no Google o nome dela. Continuar lendo As mudanças das Cores
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Me desculpe, mas não foi isso que eu esperava!

Sei que andamos ausentes! Afinal um blog tem que ter certa periodicidade. Porém tanto eu quanto a Nath estamos com novos projetos profissionais e ficamos sem tempo para nada. Não que as ideias não estejam fervilhando em nossas cabeças, nos pondo loucas de tanta borbulhas, prontas para sair. Mas tivemos que eleger certas prioridades…. mas foi muito bom este período sabático! Muitas coisas vieram a tona.

Nesse período tive uma pessoa muito querida que me deletou por conta de uma de nossas falas, de um post sobre determinada artista. Isso me deixou triste, pois tenho certeza de que não tivemos o nosso momento de réplica, porém nos fez ver o quanto é precioso e forte o ato de escrever para tantos.

Também tive o convide da ABPQ para assumir uma coluna no jornal dessa associação. Fiquei super feliz, e pensei… “mais uma coisa para fazer??” E no entanto assumi o compromisso,  pois como eu sempre dou “pitacos”, nada melhor do que além de falar, fazer algo.

Pensei muito no que iria abordar, já que nesse setor há sempre uma rasgação de algodão (neologismo quanto a seda) contínua quanto aos artistas. E como eu amo ao pé da letra fazer workshops, pensei… “Por quê não posicionar o lado de quem esta aprendendo?

Sim, porque são as alunas que possibilitam aos professores a darem suas aulas e terem seus recursos.

A arte de unir tecidos é milenar, mas os profissionais precisam se  atualizar e se prepararem para isso. Há cursos no mercado nacional que custam muito, muito mais que workshops em Houston, com artistas renomados e premiados. Sim, conheço nossos artistas também renomados e premiados, mas estamos falando agora da técnica de ensinar. E se cobrou, tem que ter um retorno.

Vou também abordar sobre os ateliers. Como as alunas se preparam para ir aprender algo, e o que esse lugar tem que no mínimo oferecer as suas clientes. Há tanto a dizer.

E sobre os equipamentos então… isso dará muitos posts….

Então assumi a coluna para falar sobre isso. E fiz um post explicando por qual caminho que iria percorrer. Foi então que várias pessoas, várias, vieram falar comigo em mensagem privada. Dizendo sobre as frustrações de terem se inscritos em determinadas aulas, e que não tiveram o retorno esperado. Que se sentiram frustradas. Muitas inclusive agora se tornaram consumidoras de livros e assistem vídeos na internet ao invés de pagarem para aprender. Isso é prático e triste. Tira a essência do Patchwork que é juntar as amigas para conversar e costurar. Tira o aprender na dúvida alheia. Tira e não acrescenta nada mais, nada além do que o vídeo ou o livro propõe.

Portanto vou ser delicada e elegante para não mencionar nomes e técnicas! Porém vamos falar sim do que nos incomoda, e onde tudo pode melhorar. A Verdade liberta… e nada melhor do que a verdade para nos deixar a vontade de querer mais e mais.

Por quê se já escrevi na coluna, repetir aqui no Blog? Por um motivo único… lá no blog ainda são apenas quase 700 quilteiras. Aqui tivemos publicações que alcançaram 25 mil pessoas. Então preciso muito do feedback de vocês. Me falem o que esperam em um festival. O que querem achar em uma feira do setor. Contem a sua experiência em aula. Não quero e não permitirei nomes. Somos elegantes o suficiente para apenas apontarmos os fatos e não as pessoas.

Assim poderemos abordar cada vez mais os três lados… o de quem ensina, de quem prepara o evento e de quem vai para aprender.

Um super beijo, e aguardo a sua fala!

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Sim eu vou esquecer!

Esse mundo apaixonante de projetos, tecidos e idéias…. acrescidos de posts maravilhosos dos nossos grandes mestres! Além disso a internet se tornou um berço gigantesco de inspirações.

Ah o Pinterest… mundo maravilhoso dos desejos mais profundos de só termos tempo para finalizarmos aquele projeto que sonhamos e ainda nem começamos.

E não podemos esquecer de todos os festivais: Gramado, Curitiba, Florianópolis, Petrópolis, Rio de Janeiro, São Paulo, Campos de Jordan, Paducah, Houston, Londres… vixi posso ficar o sábado todo postando lugares.

Livros e Projetos! Acho que tenho um carro aqui no atelier… e dos bons… Xerox então… Continuar lendo Sim eu vou esquecer!

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Lembranças afetivas de um dia em Floripa!

Sentem, porque o texto é longo e delicioso….

Em um período tão conturbado com várias mudanças pessoais e profissionais, parei para fazer algumas aulas no Floripa Quilt. Sempre fui apaixonada pelo trabalho da artista plástica Dóris Teixeira, e fui na verdade ao festival justamente para fazer suas aulas.

Quando foi liberado no site as oficinas, eu simplesmente fechei todas as da Dóris, sem saber sobre o que se tratava. São aulas que sempre dão lotação bem rápido, e sempre perdia por falta de vagas.  Iria fazer uma imersão de artes, bordados e texturas. Era um momento em que eu havia esperado e muito, e como sempre ficamos “brigando” por ajeitar os horários com todas as profissionais do setor, havia me proposto que esse ano eu iria realmente conseguir satisfazer esse meu desejo de aprendizado.

Dóris Teixeira, foto cedida gentilmente pela Lido Quilt de Niterói, RJ

Eis que no meio de tanta coisa pessoal, estava realmente histérica. Muitas coisas haviam mudado, e eu estava a mil por hora… mas não daquela forma só de fazer e sim de sentir. Sempre encarei o Patchwork como o meu momento terapêutico. Então mesmo com tantos “pensar” e “executar” me propus a “sentir” a liberdade de fugir para algo que me desse realmente muito prazer.

Dóris surgiu em duas oficinas como sempre… com sua personalidade forte, desprendida de qualquer coisa material (e olha que para nós quilteiras isso é muito duro), distribuindo materiais maravilhosos para que suas alunas fizessem peças lindas de patchwork.

Entre uma fala e o ensinar de uma técnica, colocava sempre uma pitada pessoal, de algum “causo mineiro”, contando suas experiências em seus trabalhos.

Ela tem a aparência de uma Maga que acabou de sair de Avalon. Sua fala é mansa, seus movimentos precisos e seu olhar extremamente atento, mas não pensem que é apenas doçura, pois há muito a desvendar em suas colocações, e isso é o mais apaixonante ao meu ver. Em tudo ela coloca a sua pitada de verdade, mesmo que isso não seja de todo “meigo”, mas quem quer aos 50 anos um dia apenas “meigo”. Queremos força, energia, paz e verdades.

Apesar de conhece-la há tantos anos por outras oficinas, cheguei a conclusão que nunca havia estado com ela.

Enfim, a terceira aula chegou. Não havia “quórum”. E pasmem… era porque ela iria ensinar a Fazer bonecas de Patchwork. Sim… bonecas aplicadas e bordadas. Nada a ver com quem é bonequeira, ou ama uma Tilda. Estávamos falando daquela construída com restos de tecidos e emoções, bordadas e aplicadas misturando vários tipos de materiais.

Fomos para uma sala pequena, já que no final éramos apenas 3. Eu cheguei cedo e ela apareceu como se viesse de uma Bruma mesmo. Com as mãos cheias de materiais lindos jogados a mesa.

Eu estava meio que anestesiada. Não sabia se deveria ficar ou não a aula, já que o meu notebook me chamava para finalizar tantos e-mails de trabalho.

E então a Dóris começou a me chamar para aquele plano (não terrestre) de me contar o motivo da aula.

Segundo Dóris Teixeira essa seria a mãe de todas… uma ideia de que nada é estático e que não estamos sozinhas.

Disse que vinha de uma família de mulheres muito fortes. Que suas avós todas tinham personalidades marcantes, e que influenciaram e muito sobre todos os trabalhos dela. Em poucos minutos, foi abrindo as páginas da história dela, contanto sobre sua infância, cheiros, lembranças afetivas e memórias espirituais. Sobre seus casamentos, filhos, viagens.

Explicou que cada uma daquelas mulheres colocadas a mesa eram suas avós de verdade. E todas estavam grávidas, pois Dóris Teixeira da sua maneira, enxerga a maternidade de forma ímpar.

Eu , que amo uma boa história, comecei a ver cada detalhe de suas peças. Uma com cara de índia, com a roupa feita de bordados e aplicações…. com um cabelo que mais parecia o da própria Dóris, e carregando nos ombros pássaros que buscaram sempre liberdade. Outra com ar europeu, daquelas que vieram realmente desbravar uma terra estranha. Tão nós brasileiras. Toda atenção aos detalhes… a borboleta jogada ao vestido, aos seios marcados por um liberalismo reprimido pela época, saias longas, com sapatos confortáveis. Um sol ao fundo… sim… aquele fundo que liberta o estático.

 

E  tinha essa boneca, toda feita de liberdade. Remetia as mulheres que defendem suas crias (ou não), que carregam nos braços sacolas com ervas e infusões para sonhos milagrosos. Que não tem vergonha alguma de serem feitas de retalhos, e de até carregarem uma galinha nos braços, e pasmem… seus olhos não tem o formato de peixes sem ter na verdade um bom motivo. Mulheres que não precisam ser penteadas… sim, podemos sim sermos apenas nós. A sexualidade mostrada com um sol no seio, e as flores para adocicar o presente em mutação. Os cabelos esvoaçando em uma direção única, pode ser por conta do vento da liberdade, alcançada a duras penas, pois ainda tinham que lutar pelos direitos das filhas e netas que estariam vindo.

Com sua voz quase rouca, me disse como eu tinha que fazer…. ou não fazer. Tinha que buscar em minhas memórias uma mulher que me foi importante. O cheiro? Qual o cheiro que ela me remetia? Qual era o tom da fala e as cores que ela gostava. E assim, em cima de uma base (feltro, algodão, manta ou qualquer coisa) deveria ir construindo uma pessoa. Deveria começar com a saia ou vestido… e  então ir montando conforme minhas memórias afetivas permitissem.

Lembrei no ato da minha bisavó Emília. Uma mulher forte, que fingia ser fraca para o Português Tirano do meu bisavô, que ajudava a todos os filhos e netos. Domingo era o dia de estarmos juntas. E ela abria a porta e nos benzia, e saia rapidamente para comprar um pão e queijo para o lanche da tarde. Uma mulher de avental manchado com as tarefas da casa… um cheiro bom de vó e colo.

Minha boneca, inspirada nas de Dóris Teixeira ainda em finalização.

E enquanto eu construía a minha Emília, Dóris continuava a falar sobre as mulheres fortes da história do mundo. Das rainhas e princesas europeias. Sim, ela misturava arte e cultura com muitas informações. Nos presenteava com tantos detalhes ricos da história das nossas antepassadas… e assim o tempo voooooouuuuuuuuu….

Eu simplesmente esqueci de todos os meus problemas. E mesmo ao ser avisada pelo meu despertador que a próxima aula estaria começando, não queria ir. Em minha corrida para o ir e vir para pegar o material da próxima aula, voltei correndo para buscar minhas coisas, e colocado de forma livre e absurdamente idêntico, Dóris gentilmente me colocou o que julgava ser o cabelo da minha Emília. Sim… parecia mágica, já que ela acertava no volume e no Xale de lã entre eles.

E assim meu dia com Dóris Teixeira terminou. Fiquei ansiosa em poder contar essa história no blog, pois acredito muito no poder da fala. Creio que devemos abrir espaços em nossos sentimentos para novas experiências.

Aquilo que poderia ser uma aula simples de bordado e aplicações, se tornou uma aula de alma. Me fez ainda mais forte. Foi libertador e terapêutico.

Esse é o poder do Patchwork… dos nossos retalhos construir pessoas melhores.

Um pouco dessa artista que muito recomendo conhecerem, e se tiverem a sorte, fazendo Bonecas de Patch!

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“Não me toque, Please!”

Seguramente quem o faz não sabe que as mãos acabaram de passar em vários tecidos com poeira, ou até estiveram comendo aquela deliciosa coxinha na área de alimentação.

Talvez falte olhar novamente ao esmalte vermelho e nem imagina o que poderá ter ficado embaixo da unha, tipo aquela gordura do saco de pipoca! Ou então, que aquele creme para as mãos secas não tenha a gordura descrita no verso da embalagem.

Quilt Festival Houston 2017

Pode haver também a “licença poética” de que “se sente melhor aquilo que se toca”.

Independente do que se acha ou se sente, o fato é o seguinte: NÃO É NÃO!

Não me toque“, quer dizer…  “não pense que ninguém verá você me tocando, pois suas digitais ficarão impressas em meus tecidos“. Se uma obra de patchwork exposta em uma feira pudesse falar… daria justamente essa sugestão as calorentas e sedentas convidadas.

As pessoas esquecem que os artistas levam horas, dias para montar um esquema para fazer o projeto. Dias e dias para escolher as cores dos tecidos, formas, contornos, cores das linhas do quilt. Há tanta energia em jogo… e, de repente em uma exposição, eis que se rendem à tentação.

Quilt Festival Houston 2017

Sim, eu entendo… que dá vontade, sei que dá. Mas não é justo! Não é justo com o artista que criou, não é justo com a Curadora que tem a responsabilidade de devolução da peça intacta, não é justo com a própria peça.

Uma peça que tenha que ir para a lavanderia, poderá ser manchada por um tecido que solte tinta, poderá perder o volume do quilt, já que as mantas poderão sofrer ao serem lavadas. É uma peça de Festival. Ela tem uma etiqueta que poderá sofrer danos também…

Há tantos motivos, mas em resumo é “Não coloque as mãos”. Simples assim…

Painel: Feriadão na 25 – Rute Sato

Tenho ida há vários festivais, e vejo que o problema é crônico. Ano passado, em uma feira em Florianópolis, as peças estavam lindas, algumas expostas nas paredes das escadas. Isso fez com que várias, e eu disse várias,  pessoas apalpassem as peças enquanto subiam os degraus. Na última feira de São Paulo agora, as peças estavam tão próximas dos nossos olhos, que várias mãos passavam levemente nas costuras. Aqueles quilts cheio de detalhes da Marcia Baraldi, em tons de nude e branco e as pessoas passando os dedos para sentir o Quilt….(suspiro). Aqueles trabalhos da Artista Ariadne Cordeiro, Wearable Art, Obras de Artes usáveis, ou para simplificar roupas feitas com várias técnicas do Patchwork (Airton Spengler irá me matar por essa minha simplificação), lindas demais… e já pensou com várias digitais? E não é porque a Rute Sato fez um lindo retrato da 25 de Março que iremos nos portar como se estivéssemos lá, não é mesmo?

Exposição Brazil Patchwork Show 2018

Sei que muitas de nós não têm esse hábito, mas vamos divulgar? Vamos ajudar a educar as nossas colegas, que ainda tem o vício de ver com os dedos (e só o fazem porque ainda não pararam para pensar que não devem)?

Em Houston há guardas e fitas assegurando distancia segura para as Quilteiras. Mas aqui não temos o espaço para a exposição, e não pessoas para cuidarem das obras o tempo todo. Mas temos a nós, um grupo unido e cheio de força, que poderá fazer desse um Post um “educar mais leve”.

Vocês podem me ajudar? Vamos divulgar?

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