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As mudanças das Cores

Cecília Koppmann é daquelas pessoas que nasceram para mostrar ao mundo quão suave suas falas podem ser.
No Floripaquilt  tivemos o nosso primeiro contato. Para mim foi meio que um momento de “Tietagem” pois já acompanhava o trabalho dela pelo Pinterest e pelo Instagram. Foi um workshop enriquecedor, daqueles que a pessoa se doa para que você consiga extrair de si próprio o que se tem de melhor para aplicar no tecido.
Sai em total êxtase! Tanto foi que terminei o trabalho no mesmo mês (nós quilteiras sabemos que há um tempo para que isso possa ocorrer).
Dois dias após o curso, tivemos um novo encontro. Lá estava ela toda dedicada a unir pedaços de tecidos, e de uma forma toda lúdica, me explicou que estava correndo para terminar uma bandeira do Orgulho Gay, que iria entregar a uma amiga em Buenos Aires assim que chegar. Sem perguntar se podia, já comecei a tentar ajuda-la, para que de alguma forma a minha solidariedade pudesse estar inserida nesse movimento que tanto me agrada. Mais um ponto de conquista!
E não tivemos mais contato, a não ser em minhas buscas incessantes de inspirações, onde sempre colocava no Google o nome dela.
No meu primeiro dia de feira em Houston,  me deparo a uma exposição onde uma artista Argentina havia sido convidada a apresentar seus trabalhos! Sim… lá estava ela, toda sorridente e orgulhosa.
Parecia aquela mãe que tem orgulho de mostrar o seu filho que ganhou o prêmio… sim… ela se coloca sempre coadjuvante de seu próprio estrelado. Sua luz é de tamanha generosidade que nos embriaga com tanto bom gosto e simplicidade nas cores.
Rapidamente veio me cumprimentar e saiu nos mostrando seus trabalhos, era uma retrospectiva de alguns dos seus momentos…
Eu que sempre gostei do Patchwork descompromissado, sem tantas regras e rico em emoções, viajei junto com ela e com tamanha doçura, foi me apresentando um por um…

O da nossa foto em destaque são casinhas… que ela pediu que cada aluna sua trouxesse uma, e então fez a composição de um trabalho único: O reflexo de uma paráfrase sobre seus próprios ensinamentos. Fiquei apaixonada. Comecei a olhar para aquele trabalho de outra forma.

Seguindo o mesmo tema, me apresentou o dos pássaros, onde cada aluna escolheu o tecido  para pontuar sua presença.
Outro então… só nome já é de extremo senso de bom gosto: “Warhol, Fasset and Me”.
Além disso os “Totems”, de maneira sofisticada utilizam de tantas cores quanto é possível! E ainda generosamente fala que o bom resultado se dá pela qualidade das cores, e o quanto é divertido e prazeroso trabalhar com Kaffe Fasset.
Havia outro com a licença poética das cores, monocromático, e um tom de renovação… “Simply Red”.
E mais um e mais um….

Sempre tão lindos e preciosos…
E de repente ela vem e me explica sobre aquele trabalho que tanto me chamou atenção… onde era Nude e as cores apenas pontuais.
Me explicou que havia tido um problema oncológico, e que em 2012 teve que fazer 37 sessões de Radioterapia pelo Câncer no Seio.
Radiotherapy Project” nasceu em uma licença poética da dor e da ansiedade. Nas duas primeiras horas que ela ficou esperando pela primeira sessão, ela simplesmente pegou um pedaço de tecido e começou a construção do seu caminho.
Criou suas próprias regras: “iria começar a fazer cada quadrado, um seio, que seria devidamente “abandonado” quando entrasse para fazer a radioterapia. Em seu site ela explica como foi a construção de cada um. http://patchworkycia.blogspot.com/
Se olhar bem o trabalho, verá que há dias que há apenas um quadrado, sem forma alguma, pois a máquina estava quebrada. Há também um que esta todo vermelho, pois ela fez em virtude da queimadura em seu seio.
E conforme ela foi explicando, lágrimas começaram a descer em meu rosto, e ela apenas me abraçou. Foi um momento total de catarse. Retomei a ver ao trabalho (como tenho certeza que vocês também o farão) e fiquei imaginando cada sentimento, cada dor e alegria, cada momento de perda e de conquista.
E então ela me falou sobre tantas coisas importantes…. e eu pedi a ela autorização para dividir isso com vocês, pois para mim Patchwork é isso. É a essência da vida, repaginada em tiras unidas por pontos e emoções.
Cada momento, cada trabalho, é resultado de uma fusão de sentimentos e anseios. Nada é por acaso.
Como Cecília Koppmann me fez uma pessoa melhor. Me senti tão simples e tão pequena perto daquela gigante!
E foi me apresentando o marido e o filho, que vieram prestigiar essa linda homenagem.
Quero muito poder dividir isso com vocês, e darem a todas a mesma oportunidade que tive, de poder ouvir essa história tão interessante. Lógico que não terá o sotaque apaixonante portenho, e muito menos a suavidade de sua fala. Mas é com muito amor que falo hoje sobre superação.
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3 comentários sobre “As mudanças das Cores

  1. Maravilhoso o trabalho da Cecília . Amei conhecer um pouco mais.

    1. Sem dúvida… um trabalho cheio de delicadezas e mensagens nas entrelinhas…

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