Artistas que inspiram

A descoberta no caminho

Conversar com a Suzana Garske Refatti é ter a certeza de que o patchwork oferece uma pluralidade incrível. Essa artista ímpar é uma inspiração para todas nós. Com trabalhos que beiram a perfeição, feitos de forma paciente e meticulosa, em sua maioria à mão.

Diferente de muitas de nós, Suzana não aprendeu a costurar com a mãe ou a vó. “Eu fui me desenvolvendo, sou ótima aluna, adoro a sala de aula. Me dedico muito a fazer cursos, isso sempre me ajudou muito”, conta a artista. Toda essa dedicação é possível perceber em suas criações.

Em 2006 ela teve o seu primeiro trabalho concluído e, a partir daí, não se separou mais do patchwork. Ainda na contramão da maioria, Suzana não montou um ateliê próprio para oferecer cursos. Ela possui um estúdio pessoal para se dedicar às suas criações e, para os que querem aprender suas técnicas, ela oferece cursos em ateliês que a convidam para ensinar temas específicos. “O que ajudou muito na minha divulgação foram os trabalhos premiados em festivais”, explica. Em 2012 recebeu seu primeiro prêmio e desde então foram muitas outras conquistas em festivais nacionais.

“Prefiro me dedicar naquilo que sou melhor e no que gosto”, explica Suzana. E é por isso que suas aulas são voltadas à quilting à mão com bastidor, aplicação dobra com a agulha e finalização de quilts, incluindo etiquetas. Esta é a sua marca registrada, um trabalho que possui um acabamento impecável, com etiquetas feitas com primor e detalhes. “Muitas vezes via um trabalho belíssimo, mas o acabamento não fazia jus. Por isso quis aprender sobre isso, fiz vários cursos nesse tema”, conta.

A questão da etiqueta abordamos recentemente em um belíssimo post feito pela Estela Mota (você pode ler aqui). Sua importância é muitas vezes subestimada, mas trata-se de um registro do trabalho. “A etiqueta traz a memória afetiva, você lembra o que te inspirou”, complementa Suzana. Essa cultura de etiquetar os trabalhos ainda não está fortalecida aqui no Brasil, mas é algo que precisa começar a crescer. Temos grandes artistas, que têm se destacado internacionalmente e são as etiquetas que irão eternizar esses projetos.

Mas não é só pelos seus trabalhos feitos à mão e a perfeição na finalização que Suzana se destaca. Ela nos inspira a querer aprender mais, a descobrir as possibilidades do patchwork, sempre saindo de nossa zona de conforto. “Fiz uma aula de patchwork com corte livre, sem régua e sofri bastante”, conta Suzana. Ela nunca havia se imaginado fazendo algo do tipo. Sua formação em Matemática e forma cartesiana de pensar ia contra essa técnica. Mas foi exatamente superando a sua zona de conforto que ela encontrou uma forma nova de criar. “Não via prazer em fazer esse tipo de trabalho, mas não desisti e busquei o prazer nisso. Agora já possuo mais de 6 peças feitas com a técnica de corte livre”, explica Suzana. “É o prazer de não usar a medida”, brinca.

Após essa conversa só cresce a vontade de aprender cada vez mais, nas palavras de Suzana, o prazer do patchwork está “na descoberta no caminho”.

 

 

2 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *